A arte poética e o processo criativo: dez livros (e muito mais) para inspirar novos poetas e escritores
Dos clássicos aos contemporâneos, dez livros indispensáveis para inspirar jovens poetas e escritores. Um convite também a novos olhares e reflexões para os literatos.

A arte poética e o processo criativo escritos por aqueles que vivem ou viveram a palavra. A nossa seleção propõe uma linha do tempo que perpassa os pilares da antiguidade clássica, atravessa a ousadia dos modernistas e chega à urgência das vozes contemporâneas.
Você encontrará aqui as obras de poetas e grandes mestres da literatura brasileira e mundial, além de outras leituras e indicações especiais.
Um referencial para ser acessado, compartilhado e salvo em seus favoritos.
Boa imersão!
Sumário:
1 – Arte poética, 335 a.C. e 323 a.C. Aristóteles.
2 – Arte poética, 19 A.C. Horácio.
3 – Do Sublime, I d.C. Longino.
4 – Filosofia da composição, 1846. Edgar Allan Poe.
5 – Cartas a um jovem poeta, 1889. Rainer Maria Rilke.
6 – ABC da Literatura, 1934. Ezra Pound.
7 – Lições de poética, 1944. Paul Valéry.
8 – Itinerários de Pásargada, 1954. Manuel Bandeira.
9 – Esse ofício do verso (1967-1968). Jorge Luis Borges.
10 – O que é comunicação poética, 1977. Décio Pignatari.
Cartas de Mário de Andrade a escritores e poetas.
Antologia poética, 1962. Carlos Drummond de Andrade.
Artigo indefinido: crônicas literárias. Paulo Mendes Campos.
Correio Literário, 2021. Wisława Szymborska.
De Anchieta aos Concretos, 2004. Mário Faustino.
Sobre a escrita: a arte em memórias, 2000. Stephen King.
Tudo ( e mais um pouco): poesia reunida (1971-2016), 2016. Chacal.
A poesia visual de Arnaldo Antunes.
Escrever é perigoso: ensaios e conferências, 2023. Olga Tokarczuk (1962-).
Obras do poeta Mário Alex Rosa.
Mais obras literárias, ensaios e manuais inspirados pela arte da palavra:
Poesia e poetas em obras literárias.
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1 – Arte Poética, 335 a.C. e 323 a.C. Aristóteles (384-322 A.C.), Estagira, Grécia.
Aristóteles.

O que nos restou da Poética de Aristóteles, ainda que na esperança da recuperação da parte perdida no futuro, constitui um preciosíssimo estudo de duas formas célebres da poesia – a trágica e a épica – caracterizado pela clareza e o tratamento sistemático e meticuloso do estagirita. Como a Retórica, a Poética dirige-se a um público muito mais amplo do que o dos tratados acroamáticos de Aristóteles. Assim, não só aqueles que são classificados atualmente por nós como estudantes e estudiosos de filosofia e de poesia obtêm de sua leitura atenta um grande e indiscutível proveito, como também os interessados na literatura em geral, na crítica literária, no teatro, no jornalismo e todos que se ocupam da linguagem e da comunicação humanas.
Ficha técnica:
ISBN: 978-85-7283-759-0
Formato: Livro brochura (paperback)
Número da edição: 1
Data do lançamento: 02/01/2011
Número de páginas: 96
Idiomas do produto: Português
Peso: 130 g
Comprimento: 7 mm
Largura: 140 mm
Altura: 210 mm
Créditos: descrição e ficha técnica por Edipro grupo editorial. Fonte: Poética – Edipro – Loja virtual de livros. Acesso em abril de 2026.
2 – Arte Poética, 19 A.C. Horácio (65- 8 A.C.), Venosa, Itália.
Quinto Horácio Flaco, em latim Quintus Horatius Flaccus.

Sinopse:
Arte poética é como ficou conhecido o pequeno tratado em verso que Horácio escreveu como carta aos irmãos Pisões. É o mais longo poema de Horácio, com quase quinhentos versos.
A partir das discussões sobre o teatro em geral, entremeando discussões sobre problemas de metros, personagens e temas com passagens de ironia e poeticidade, o poeta fez uma espécie divertida de tratado que por séculos vem sendo considerado um poema fundador para outras poéticas do Ocidente, com um número incontável de estudos e traduções.
A tradução de Guilherme Gontijo Flores recria parte do metro antigo em seu caráter vocal; no entanto, também mostra os vários momentos de riso e mesmo de sátira que marcam a escrita de Horácio e fazem um contraste radical com as leituras tradicionais que viam no poema uma expressão puramente séria e quase acadêmica.
O desafio desta tradução é fazer da Arte poética um poema conversacional, por vezes engraçado, sem com isso perder o complexo debate sobre a aventura literária.
Ficha técnica:
Páginas: 176 • Formato: 14 x 21 cm • Acabamento: Capa Dura • ISBN: 9786588239520 • Código: 36253 • Categoria(s): Clássicos, Filosofia, Literatura, Teatro • Autêntica Editora • Edição: 1 • Coleções: Clássica • Coordenadores da Coleção Oséias Silas Ferraz • Mês/Ano de publicação: 01/2021 • Primeira edição: 01/2021
Créditos: descrição e ficha técnica por Grupo editorial Autêntica. Fonte: Livro: Arte Poética (Edição bilíngue e capa dura) | Grupo Autêntica (grupoautentica.com.br). Acesso em abril de 2026.
3 – Do Sublime, I d.C. Longino, Roma antiga.
frequentemente chamado de Pseudo-Longino.
Imagem: divulgação.
Créditos da sinopse e imagem: Livraria Martins Fontes, acesso em julho de 2026. Outras fontes: Bryn Mawr Classical Review, Encyclopedia Britânica.
4 – Filosofia da composição, 1846. Edgar Allan Poe (1808-1849), Boston, Massachusetts, EUA.
Edgar Allan Poe.

Sinopse:
A filosofia da composição traz um ensaio onde Edgar Allan Poe analisa “O corvo”. Seu mais famoso poema é reproduzido nesta edição da Coleção Papéis Colados em duas importantes traduções para a língua portuguesa, uma de autoria de Fernando Pessoa e a outra de Machado de Assis, além de sua versão original em inglês. Poe realiza algo raro: se desloca do papel de autor para o de crítico, e desvenda os passos percorridos desde a concepção da ideia, até os pormenores que garantem a coerência e a unidade do texto.
Ficha técnica:
Número de páginas: 64
Formato: 14x21cm
Edição: 1º edição
Coleção: Clássicos
Selo: 7Letras
Acabamento: Brochura, capa dura.
Créditos: sinopse e ficha técnica por 7Letras. Fonte: A filosofia da composição – Editora 7Letras. Acesso em abril de 2026.
5 – Cartas a um jovem poeta, 1889. Rainer Maria Rilke (1875-1926), Praga, Tchéquia.
René Karl Wilhelm Johann Josef Maria Rilke.

Sinopse de Cartas a um jovem poeta:
Em 1903, o já famoso escritor Rainer Maria Rilke recebeu uma carta de um jovem aspirante a poeta, Franz Xaver Kappus, que buscava a orientação do “mestre”. Rilke não apenas respondeu aquela carta como seguiu com a troca de correspondências com Kappus por mais cinco anos.
Entre 1903 e 1908, portanto, as cartas trocadas entre Rilke e Kappus levaram a uma conversa franca entre mestre e aprendiz, entre dois homens dedicados à arte, à literatura, à poesia. As experiências compartilhadas entre os dois dialogam também com o leitor, fazendo dessa correspondência pessoal algo extremamente universal, capaz de conectar-se há mais de um século com leitores do mundo todo.
Além das cartas de Rilke ao jovem poeta e as do jovem poeta a Rilke, esta edição conta com os seguintes extras:
A transitoriedade, texto de Sigmund Freud. Nele, Freud relata um passeio feito em companhia de Rilke, na época um “jovem poeta” angustiado pela efemeridade das coisas e pelo fim de tudo que é Belo.
Nota de Franz Xaver Kappus, escrita em ocasião da publicação das cartas de Rilke.
Posfácio do alemão Erich Unglaub, professor e estudioso da Literatura Alemã.
Nova tradução do alemão, incluindo nota da tradutora Claudia Dornbusch.
Ficha técnica:
Editorial: Editorial Planeta
Tema: Autoajuda | Crescimento pessoal
Coleção: Fuera de Colección
Tradutor: Claudia Dornbusch
Número de páginas: 208
6 – ABC da Literatura, 1934. Ezra Pound (1885 – 1972), Idaho, EUA.
Ezra Weston Loomis Pound.

Sinopse:
Em nova edição revista e atualizada, Ezra Pound, um dos mais importantes e discutidos poetas do século XX, define com maestria a natureza e o significado da literatura e mostra ao leitor como ele pode desenvolver uma mente crítica e sensibilidade para captar o que haja de realmente criativo na grande literatura do mundo. Completa o volume uma mini antologia de poetas essenciais , de Homero a Rimbaud, passando por Li T ai Po, os trovadores provençais, John Donne, entre outros, brilhantemente traduzidos por Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari.
Ficha técnica:
Categoria: Crítica Literária e Linguística
Autor(es): Pound, Ezra
Dimensões: 14cm x 21cm
Edição: 12ª edição
Editora: CULTRIX
ISBN: 9788531612497
Número de páginas: 240
Ano de publicação: 2014
Encadernação: Brochura
Créditos: Apresentação e ficha técnica por Grupo Pensamento. Fonte: Abc da literatura (grupopensamento.com.br). Acesso em abril de 2026.
7 – Lições de poética, 1944. Paul Valéry (1871-1945), Sète, França.
Ambroise-Paul-Toussaint-Jules Valéry.
A conferência inaugural do autor, intitulada “Primeira Lição do Curso de Poética”, foi publicada em livro na França em 1944, integrando a obra Variété V. O curso completo dado no Collège de France permaneceu inédito e empoeirado em arquivos por décadas, ganhando sua primeira edição integral e monumental em 2023 pela Editora Gallimard.

Descrição:
Nestas Lições de Poética, Paul Valéry (1871-1945) nos propõe considerar a literatura — e a arte em geral — não como “obras” acabadas, mas, primeiro, como atos do intelecto que a compõem, e, segundo, como atos do intelecto que recebem a obra. Aliás, hoje mesmo se fala muito em escritura — e ainda mais em leitura —, mas quantas vezes nos lembramos de que esses substantivos se referem a atos de intelectos individuais?
Mesmo que o intelecto produtor saia de si para tentar calcular os efeitos da obra em quem vai contemplá-la, ele inevitavelmente volta a si para a composição. Para ele, a obra mesma é o termo desse processo. Para o leitor (ou para o ouvinte, para o espectador…), porém, a obra nada mais é do que a origem de uma nova série de atos do seu próprio intelecto.
Assim, fica o convite para não reduzirmos as obras a escolas ou a estilos, mas para tentar captá-las como atos de outro espírito, e para que nos examinemos a nós mesmos ao sofrer seu impacto. Pedro Sette-Câmara
Ficha técnica:
Peso: 490 g
Dimensões: 18 × 11,8 × 0,6 cm
Tradução: Pedro Sette-Câmara
Preparação: Maria Fernanda Alvares
Capa: Julia Geiser
Ano de publicação: 2018
Páginas: 92
Créditos: descrição e ficha técnica por Planeta editora. Fonte: Lições de poética – Editora Âyiné (ayine.com.br). Acesso em abril de 2026.
8 – Itinerários de Pásargada, 1954. Manuel Bandeira (1886-1968), Recife, Pernambuco. BR.
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho.

Sinopse:
Neste texto autobiográfico, Manuel Bandeira expõe o poeta em comoventes confissões de cunho pessoal e intelectual. Relembrando a infância no Recife e a mocidade no Rio de Janeiro, além de momentos marcantes de sua vida, este Itinerário é um testemunho imprescindível para a compreensão da trajetória deste grande poeta e escritor brasileiro.
Ficha Técnica:
Editora: GLOBAL
Coleção: Manuel Bandeira
Edição: 7ª edição
Formato: 16 x 23 cm
184 páginas
4 X 4 Cores
Peso: 320 gramas
ISBN: 978-85-260-1712-2
Código de Barras: 9788526017122
Créditos: sinopse e ficha técnica por Grupo Pensamento. Fonte: Itinerário de Pasárgada – Livro – Grupo Editorial Global. Acesso em abril de 2026.
9 – Esse ofício do verso (1967-1968). Jorge Luis Borges (1899-1986), Buenos Aires, Argentina.
A obra reúne seis palestras transcritas que Borges proferiu na Universidade de Harvard entre 1967 e 1968, cujas gravações ficaram perdidas por décadas.
Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo.

Esse ofício do verso é a transcrição de seis palestras proferidas por Jorge Luis Borges na Universidade de Harvard, entre 1967 e 1968. Comentário profundamente pessoal sobre diversos aspectos da produção literária, o livro é um testemunho inédito da genialidade de um dos maiores escritores do século XX.
10 – O que é comunicação poética, 1977. Décio Pignatari (1927-2012), Jundiaí, São Paulo, BR.
Décio Pignatari.

Com o som e a forma das palavras, o poeta cria e recria a linguagem. Partindo desse princípio, é possível argumentar que a poesia está mais próxima das artes visuais e da música do que da prosa.
Justamente por isso, a criação poética constitui uma fonte de imagens que são inesgotáveis produtoras de novas sensibilidades. Ao dar algumas chaves para ler esse tipo de literatura, o autor apresenta também questões para incentivar a criatividade e a competência poética do leitor.
Descrição:
A Linguagem Poética
Semiótica Poética: Paradigma e Sintagma
Ritmo
Métrica
Rima
Amostragem Sincrônica: Tudo ao Mesmo Tempo
Amostragem Diacrônica: Um Tempo, Depois Outro Tempo
Poesia Não-Linear, Poesia Não-Verbal
Observações Finais
Indicação para Leitura
Biografia
Créditos: Apresentação e descrição pela Ateliê Editorial. Fonte: O que é comunicação poética. Acesso em junho de 2026.
Outras fontes de leitura e aprendizado:
Alguns livros de Cartas de Mário de Andrade a escritores e poetas. Mário de Andrade (1883-1945), São Paulo, SP, BR.
Mário Raul de Morais Andrade.
Imagens: divulgação.
Antologia poética, 1962. Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), Itabira, MG, BR.
Carlos Drummond de Andrade.
Imagem: divulgação.
Carlos Drummond de Andrade escreveu extensivamente sobre a poesia e o ato de compor versos, recorrendo frequentemente à metalinguagem (a poesia que fala sobre o próprio fazer poético). Para Drummond, a escrita não era fruto de mera inspiração divina, mas sim de um trabalho apurado, um esforço luta árdua e meticulosa com a matéria-prima das palavras.
Alguns poemas metalinguísticos mais célebres e que definem sua visão sobre a arte:
Procura da Poesia: É o seu texto metapoético mais famoso. Nele, Drummond funciona como um mestre que dá conselhos ao jovem poeta. Ele avisa que poesia não é relatar o dia a dia, sentimentos fáceis ou aniversários. O verdadeiro poema surge quando se penetra “surdamente no reino das palavras”, onde os versos esperam para ser lapidados.
O Lutador: Neste poema, Drummond constrói uma metáfora perfeita do fazer poético ao comparar o escritor a um lutador no ringue. O seu adversário são as próprias palavras, descritas como entidades fluidas, duras e difíceis de capturar ou domar.
Poesia (do livro Alguma Poesia): Logo em sua estreia literária, ele expõe a angústia da criação nos versos: “Gastei uma hora pensando em um verso / que a pena não quer escrever”. O texto sintetiza a frustração física e mental de tentar traduzir o sentimento do mundo para o papel.
A Palavra Mágica: Aborda o poder quase místico que uma única palavra carrega e o esforço do poeta para “desencantá-la” das sombras de um livro.
Na sua consagrada Antologia Poética, organizada pelo próprio autor em 1962, Drummond separou a seção chamada “Poesia Contemplada”, dedicada exclusivamente a agrupar suas reflexões sobre a própria arte e o seu fazer.
Obra de Murilo Mendes (1901-1975), Juiz de Fora, MG, BR.
Murilo Monteiro Mendes.
Imagens: divulgação.
A metapoesia, o ato de usar a poesia para refletir sobre a própria poesia e sobre o papel do poeta, é um tema central e recorrente na obra de Murilo Mendes.
Em vários de seus livros, ele reflete sobre o fazer poético, o peso das palavras e o sofrimento do artista frente ao mundo.
Essa reflexão aparece expressa de diversas formas na sua produção literária:
O conflito do criador: Em poemas como “O Poeta na Igreja”, ele expõe o dilema do artista que tenta equilibrar a transcendência espiritual, as tentações do mundo físico e as limitações das palavras para expressar o divino.
A busca da palavra salvadora: No livro As Metamorfoses (1944), o autor dialoga diretamente com a figura do poeta e da musa, tratando a poesia como um instrumento místico capaz de redimir a humanidade e unificar as contradições da vida.
Títulos conceituais: O próprio título de suas coleções, como A Poesia em Pânico (1937) e Poesia Liberdade (1947), demonstra que a poesia em si mesma era o objeto principal de suas reflexões estéticas e existenciais.
A insuficiência técnica: O autor frequentemente se coloca como um ser “dilacerado”, cuja alma “sobrevoa a própria poesia”, indicando que a arte é um processo contínuo de tentativa e erro diante do mistério do mundo.
Para saber mais, o artigo acadêmico O Poético Alinhave de Murilo Mendes : o poeta, a musa e a metapoesia em as metamorfoses (UNESP) investiga e analisa a metapoesia na obra de Murilo Mendes.
Fonte: Patrimônio e Memória/Miscelânea, Texto Poético.
Manoel de Barros (1916-2014), Cuiabá, Mato Grosso, MA, BR.
Manoel Wenceslau Leite de Barros.
Imagens: divulgação.
Artigo indefinido: crônicas literárias. Paulo Mendes Campos (1922-1991), Belo Horizonte, MG, BR.
Publicado postumamente em 2000, Artigo Indefinido: Crônicas Literárias é uma coletânea que reúne o olhar crítico, lírico e erudito de Paulo Mendes Campos sobre o universo dos livros e de seus criadores. Diferente de suas crônicas cotidianas e humorísticas, este volume foca especificamente na paixão pela leitura e na análise de grandes autores da literatura nacional e internacional.
Imagem: divulgação.
Correio Literário, 2021. Wisława Szymborska (1923-2012), Kórnik, Polônia.
Maria Wisława Anna Szymborska.

O Correio literário ― ou Correio, para os próximos ― era uma seção do semanário Życie Literackie [Vida Literária] em que a poeta Wisława Szymborska respondia às cartas dos estreantes que enviavam seus primeiros escritos com a esperança de serem publicados e entrarem para o panteão literário polonês. As respostas tinham por objetivo orientar e comentar os textos para além do «não publicaremos» protocolar. Para atenuar a negativa a poeta se vale de uma peculiar ironia, como se tentasse, de um só golpe, fincar novamente ao chão os pés dos sonhadores diletantes. Mas esse tom nunca impede reflexões profundas sobre arte, escrita e o comportamento daqueles que vivem escravos das palavras: «a poesia não é (…) uma recreação e uma fuga da vida, mas a própria vida»; «infeliz é aquele artista que não deixa nada atrás de si». Entre um sorriso amarelo e outro, um conselho e um consolo. Este livro, repleto do humor extraordinário da ganhadora do Prêmio Nobel, não é apenas uma coleção de conselhos valiosos e dicas para escritores, mas também uma ótima leitura para amantes da literatura e leitores das obras de Wisława Szymborska que desejam conhecer mais suas opiniões, preferências literárias e escritores favoritos.
Mais sobre o Correio Literário em: Correio IMS – Instituto Moreira Salles
De Anchieta aos Concretos, 2004. Mário Faustino (1930-1962), Piauí, Brasil.
Mário Faustino dos Santos e Silva.

Sobre o livro:
Reunião de textos da página Poesia-Experiência, que o poeta escrevia semanalmente no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, durante a década de 1950. A coluna era um reduto de crítica, tradução e apresentação de poetas. De Anchieta aos concretos traz textos sobre a poesia luso-brasileira, que se completam com sua vasta produção crítica sobre poesia estrangeira.
Entre 1956 e 1959, na página semanal Poesia-Experiência, Mário Faustino apresentava poetas clássicos e iniciantes a fim de atualizar a discussão sobre a poesia brasileira, considerando a produção estrangeira da época e a melhor tradição internacional. Os textos que Maria Eugenia Boaventura reuniu em De Anchieta aos concretos, publicados em 1957 e 1958, tratam de quatro séculos de poesia brasileira e de língua portuguesa. É a primeira parte de sua obra teórica, que conta também com uma grande produção crítica sobre poesia de língua estrangeira.Como escreve o escritor e jornalista Ruy Castro na orelha do livro, Poesia-Experiência era referência para escritores estreantes e para poetas consagrados: “É arrepiante imaginar como não se sentiam os leitores à espera da página – mesmo os medalhões, então vivos e ativos, deviam ter calafrios. Mário se debruçava sobre a obra de, digamos, Gregório de Matos, Cecília Meirelles ou Drummond, e ‘lia’ cada poema apontando o que era bom e (às vezes com rudeza) o que eles deveriam ter atirado no lixo. Fazia o mesmo com os jovens. E não poupava os críticos e historiadores por não serem rigorosos como ele. Mas quem podia ter a sua independência?”.
Créditos das informações sobre o livro: Companhia das Letras. Acesso em junho de 2026.
Devoção, 1985. Patti Smith (1946-), Chicago, Illinois, EUA.
Patricia Lee Smith.

Neste livro breve e delicado, Patti Smith, a lendária autora do disco Horses e do aclamado livro de memórias Só garotos, oferece um relato íntimo de seu processo criativo – e uma reflexão poderosa sobre os mecanismos da escrita.
Apresentação:
Por que escrevemos? De onde vêm as ideias para uma história? Como funcionam as engrenagens da inspiração e da literatura?
Dividido em três partes, Devoção vai refletir sobre questões como essas. O relato se inicia com uma viagem da autora a Paris. Percorrendo as “ruas abstratas de Patrick Modiano” e lendo uma biografia de Simone Weil, Patti Smith começa a esboçar um conto, que vai se materializar no segundo capítulo do livro – a história de uma jovem patinadora, sua jornada em busca de si mesma e de suas origens.
Ao fim, Patti volta à cena e narra uma visita à casa de Albert Camus, na cidade de Lourmarin, onde depara com o manuscrito de O primeiro homem, romance inacabado do escritor argelino. “Por que alguém se sente compelido a escrever?”, é a pergunta que nos acompanha até o fim. “Para dar voz ao futuro, revisitar a infância. Para dar rédea curta às loucuras e aos horrores da imaginação”, Patti diz. E porque, afinal, “não podemos apenas viver”.
Ficha técnica:
Título original: Devotion
Tradução: Caetano W. Galindo
Capa: Fabio Uehara
Páginas: 144
Formato: 11.00 X 16.00 cm
Peso: 0.123 kg
Acabamento: Livro brochura
Lançamento: 21/10/2019
ISBN: 9788535932768
Selo: Companhia das Letras
Créditos: Apresentação e ficha técnica pela editora Companhia das Letras. Fonte: Devoção – Patti Smith – Grupo Companhia das Letras. Acesso em abril de 2026.
Sobre a escrita: a arte em memórias, 2000. Stephen King (1947-), Maine, EUA.
Stephen Edwin King.
Sobre a escrita: a arte em memórias (originalmente On Writing) é o aclamado livro de Stephen King que mistura autobiografia e um guia prático para escritores. A obra é dividida em memórias de sua trajetória (desde a infância até o sucesso) e conselhos valiosos sobre o processo criativo e o domínio técnico da escrita.

Tudo ( e mais um pouco): poesia reunida (1971-2016), 2016. Chacal (1951-), Rio de Janeiro, RJ. BR.
Ricardo de Carvalho Duarte.

Sinopse:
Tudo (e mais um pouco) reúne a obra poética de Chacal, de seu primeiro livro, Muito prazer, Ricardo (1971), até os mais recentes Murundum (2012), Seu Madruga e eu (2015) e Alô poeta (2016), incluindo ainda a versão teatral da autobiografia Uma história à margem (2010). Nesse conjunto, ele criou uma lírica muito especial. Bebeu a irreverência e a concisão em Oswald de Andrade, mas também no rock’n’roll.
De Allen Ginsberg e do grupo carioca Nuvem Cigana dos anos 1970, ele trouxe para a poesia brasileira a experiência da contracultura e, acima de tudo, da palavra falada em inúmeras performances.
Colaborou também com o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, fez parcerias musicais com Rogério Duarte, Jards Macalé, as bandas Blitz e Barão Vermelho, além de atuar como agitador cultural no Rio de Janeiro em espaços como o Circo Voador e o CEP 20.000.
Ficha técnica:
Livro vendido com quatro modelos diferentes de capa
408 p. – 13.5 x 18 cm
ISBN 978-85-7326-629-0
2016 – 1ª edição
Edição conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Créditos: sinopse e ficha técnica pela editora 34. Fonte: Editora 34. Acesso em abril de 2026.
A poesia visual de Arnaldo Antunes (1960-), São Paulo, SP, BR.
Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho.
Imagens: divulgação.
Arnaldo Antunes é um dos nomes mais emblemáticos da poesia intersemiótica contemporânea no Brasil. Herdeiro direto do Concretismo, o autor expande a arte da palavra para além do livro tradicional, fazendo com que o texto dialogue o tempo todo com o som, o espaço, o design gráfico e as artes plásticas. Na sua obra, a palavra é indissociável de sua performance física e visual.
Livros fundamentais sobre o fazer poético e visual:
Psia (1986): Seu livro de estreia solo, marcado por poemas visuais, jogos tipográficos e experimentações radicais com o espaço em branco da página.
Tudos (1990) e As Coisas (1992): Obras que consolidam seu estilo conciso, lúdico e filosófico, investigando a essência e o peso das palavras no cotidiano (ganhador do Prêmio Jabuti).
Agora Aqui Ninguém precisa de si (2015): Coletânea que radicaliza o uso do letrismo e da metalinguagem, propondo reflexões profundas sobre o silêncio, a presença e a ausência na escrita.
Exposição Palavra em Movimento, por Arnaldo Antunes. Imagem: divulgação.
Palavra em Movimento: Uma de suas mostras mais importantes, que reuniu poemas visuais, objetos-poema, colagens, instalações e vídeos, transformando a lavra do texto em uma experiência tridimensional e multimeios para o público. Ver mais: site oficial do artista.
Escrever é perigoso: ensaios e conferências, 2023. Olga Tokarczuk (1962-), Sulechów, Polônia.
Olga Nawoja Tokarczuk
Prêmio Nobel de Literatura (2018), Olga Tokarczuk, nascida em 1962, é autora de Sobre os ossos dos mortos, Correntes e A alma perdida, publicados no Brasil pela Todavia.

Em doze ensaios e conferências, incluindo o seu celebrado discurso do Prêmio Nobel, a escritora polonesa Olga Tokarczuk convida o leitor a testemunhar seu processo artístico, compartilha sua visão humana e inconformista acerca das grandes questões do mundo contemporâneo e abre para visita o seu laboratório de leitura e escrita de ficção, revelando, com inaudita franqueza, como foram concebidos seus incomparáveis livros e personagens. Os ensaios funcionam como histórias em si mesmas e também fornecem uma compreensão fascinante da obra de Tokarczuk. Como ela constrói suas histórias? Que motivos utiliza? Como dá vida a personagens que evocam sentimentos tão diferentes e profundos?
Créditos das informações do livro: Todavia editora. Acesso em julho de 2026.
Obras de Mário Alex Rosa (1966-), São João Del-Rei, MG, BR.

Nascido em São João del-Rei (MG) em 14 de janeiro de 1966, o poeta, artista visual e professor Mário Alex Rosa divide sua trajetória entre as cidades históricas e a capital mineira. Graduado em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), mestre e doutor em Literatura Brasileira pela USP — ele fixou residência em Belo Horizonte, onde desenvolveu grande parte de sua carreira artística e profissional. Atualmente, trabalha também como editor e docente de Literatura Brasileira.
Mário aborda a palavra e a arte da palavra por meio da metalinguagem e da poesia visual, fundindo a escrita literária com as artes plásticas. Na sua obra, a palavra deixa de ser apenas som ou significado e passa a ser tratada como um objeto físico, plástico e visual.
As principais obras do autor que trabalham esse conceito dividem-se entre livros e exposições de poesia-objeto:
Tipografia Alfabeta (2023) (*Tipografia do Zé): Livro de viés fortemente tipográfico, onde a exploração estética das letras e a própria composição gráfica do alfabeto comandam a arte da palavra. Saiba mais: ‘Tipografia alfabeta’: o poema como campo de possibilidades, publicado pelo jornal Estado de Minas, 2023

* A Tipografia do Zé é uma gráfica fundada em 2008 em Belo Horizonte, especializada em livros artesanais de pequena tiragem, gravuras e papelaria. A oficina atua no cenário de artes gráficas do Brasil e é conhecida por suas edições que unem técnica tipográfica e literatura.
Via Férrea (Cosac Naify): Uma de suas obras mais importantes, onde o poeta exercita o letrismo próprio da arte verbal. Ele trabalha o “forjar poético”, cortando e lapidando cada letra e pontuação de forma refinada.
Cartas ao Mar (Scriptum): Uma coletânea de poemas-cartas em que o autor tensiona diretamente a linguagem e o ato de escrever. A obra debate o silêncio, a comunicação e a própria essência da palavra.
Alguns trabalhos com poesia visual e exposições de objeto-arte:
A arte da palavra em Mário Alex ganha sua máxima expressão tridimensional em suas exposições e mostras de poesia visual, dentre elas:
Desutensílios – Wor(d)k: Exposição que brinca com o duplo sentido de trabalho (work) e palavra (word). O artista ressignifica objetos cotidianos, usando o diálogo direto entre a palavra e os materiais para criar metáforas espaciais.
Letras Vermelhas: Mostra inteiramente dedicada à poesia visual. Há uma discreta tensão entre o pensar e o sentir, provocando a metamorfose da palavra no espaço visual.
Outros ensaios, manuais e obras literárias inspirados pela arte da palavra:
Imagens: divulgação.
Poesia e poetas em obras literárias:
A Vida dos Poetas (1984), de E. L. Doctorow: Livro que reúne narrativas focadas na vida íntima e nos processos criativos de poetas, explorando as contradições entre a realidade e a arte.
Possessão (1990), de A. S. Byatt: Vencedor do Prêmio Booker, acompanha dois acadêmicos modernos que investigam a vida misteriosa de dois poetas vitorianos fictícios. O livro alterna entre o presente e o passado, revelando o romance secreto desses escritores.
O legado de Humboldt (1976), de SAul Bellow: Vencedor do Prêmio Pulitzer em 1976, O Legado de Humboldt acompanha Charlie Citrine, um escritor de sucesso em crise, e sua relação com o poeta genial e autodestrutivo Von Humboldt Fleisher.
Fogo Pálido (1962), de Vladimir NaboKov: é uma das obras mais inovadoras do século XX sobre o fazer poético. O livro possui uma estrutura única. Um poema de 999 linhas escrito pelo poeta John Shade e um extenso comentário feito por seu vizinho acadêmico, Charles Kinbote.
A Redoma de Vidro (1963), de Sylvia Plath: Narrativa semi-autobiográfica da poeta americana. A protagonista, Esther Greenwood, estagia em uma revista em Nova York e enfrenta um severo colapso mental, lidando profundamente com as pressões do sucesso e sua sensibilidade artística.
Os detetives selvagens (1997), de Roberto Bolaño: É considerado o grande romance sobre a juventude, o idealismo e a inevitável decadência dos poetas. A obra acompanha a busca dos jovens Arturo Belano e Ulises Lima pelas pegadas de Cesárea Tinajero, a mítica poetisa fundadora do movimento vanguardista “real-visceralismo”
O Sol é Para Todos (1960), de Harper Lee: Embora não seja o foco principal da obra, o clássico apresenta a adorada personagem “Scout” Finch, cujo irmão mais velho, Jem, sonha em se tornar um poeta quando adulto.
O poeta aprendiz, de Vinicius de Moraes: Publicado originalmente em formato de texto e canção na década de 1970, oferece uma visão lúdica, lírica e pedagógica sobre o início da jornada artística. A obra funciona como uma fábula musical sobre a pureza e as dores do amadurecimento criativo.
Material complementar:
Livros que ensinam a arte de fazer poesia e o domínio da palavra. Combinam técnica de versificação, sensibilidade estética e exercícios práticos de escrita. Essas obras funcionam como manuais e ensaios fundamentais tanto para escritores iniciantes quanto para quem deseja refinar o uso do ritmo, da rima e das imagens literárias
Versos, Sons, Ritmos (Norma Goldstein): Considerado um dos melhores manuais introdutórios em língua portuguesa. Explica de forma didática os conceitos fundamentais de métrica, escansão, rimas e a musicalidade do texto poético.
A Criação Literária – Poesia e Prosa (Massaud Moisés): Uma das obras de referência mais respeitadas na teoria literária brasileira. O autor disseca a estrutura da poesia, estabelecendo conceitos profundos sobre as formas poéticas e os gêneros textuais.
Escrevendo Poemas: Teoria e Prática (Eldes Saullo): Um guia prático contemporâneo focado no mercado e na criatividade. Ele apresenta 39 formas poéticas detalhadas e oferece recursos linguísticos para ajudar a destravar a voz do escritor.
O Ser e o Tempo da Poesia (Alfredo Bosi): Indicado para um nível mais avançado de estudo. Explora a relação profunda da poesia com a filosofia, a história, o signo linguístico e a existência humana.
A Arte de Escrever (Claudionor Aparecido Ritondale): Desenvolvido a partir de oficinas culturais, este livro traz uma série de lições e exercícios práticos para soltar as ideias no papel, unindo o conhecimento histórico dos gêneros literários à prática criativa.
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Nota: A obra em relevo que aparece em destaque na imagem desta publicação é de autoria do renomado escultor renascentista italiano Luca della Robbia (criada por volta de 1437–1439).
Expressamos nosso agradecimento à poeta e professora da FALE/UFMG, Emília Mendes, pela excelente recomendação das obras Do Sublime (Longino) e De Anchieta aos Concretos (Mário Faustino). Ativa na cena cultural, Emília participou recentemente das homenagens a Gatto Jair e colaborou com a coluna ABC: Poetas BHZ.
Pesquisa, organização e edição | Anna Galvão.
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Arqueóloga da palavra escrita, cantada e falada. 'Hanna', falcão de maio. Αθήνα. Editora de Tantas-Folhas.









