A arte poética e o processo criativo: dez livros (e muito mais) para inspirar novos poetas e escritores

Dos clássicos aos contemporâneos, dez livros indispensáveis para inspirar jovens poetas e escritores. Um convite também a novos olhares e reflexões para os literatos.
A arte poética e o processo criativo escritos por aqueles que vivem ou viveram a palavra. A nossa seleção propõe uma linha do tempo que perpassa os pilares da antiguidade clássica, atravessa a ousadia dos modernistas e chega à urgência das vozes contemporâneas.
Você encontrará aqui as obras de poetas e grandes mestres da literatura brasileira e mundial, além de outras leituras e indicações especiais.
Um referencial para ser acessado, compartilhado e salvo em seus favoritos.
Boa imersão!
Sumário:
1 – Arte poética, 19 A.C. Horácio.
2 – Arte poética, 335 a.C. e 323 a.C. Aristóteles.
3 – Filosofia da composição, 1846. Edgar Allan Poe.
4 – Cartas a um jovem poeta, 1889. Rainer Maria Rilke.
5 – ABC da Literatura, 1934. Ezra Pound.
6 – Lições de poética, 1944. Paul Valéry.
7 – Itinerários de Pásargada, 1954. Manuel Bandeira.
8 – Esse ofício do verso (1967-1968). Jorge Luis Borges.
9 – O que é comunicação poética, 1977. Décio Pignatari.
10 – Devoção, 1985. Patti Smith.
Antologia poética, 1962. Carlos Drummond de Andrade.
Cartas de Mário de Andrade a escritores e poetas.
Artigo indefinido: crônicas literárias. Paulo Mendes Campos.
Sobre a escrita: a arte em memórias, 2000. Stephen King.
A poesia visual de Arnaldo Antunes.
Obras do poeta Mário Alex Rosa.
Tudo ( e mais um pouco): poesia reunida (1971-2016), 2016. Chacal.
Mais obras literárias, ensaios e manuais inspirados pela arte da palavra:
Poesia e poetas em obras literárias.
♦
1 – Arte Poética, 19 A.C. Horácio (65- 8 A.C.), Venosa, Itália.
Quinto Horácio Flaco, em latim Quintus Horatius Flaccus.

Sinopse:
Arte poética é como ficou conhecido o pequeno tratado em verso que Horácio escreveu como carta aos irmãos Pisões. É o mais longo poema de Horácio, com quase quinhentos versos.
A partir das discussões sobre o teatro em geral, entremeando discussões sobre problemas de metros, personagens e temas com passagens de ironia e poeticidade, o poeta fez uma espécie divertida de tratado que por séculos vem sendo considerado um poema fundador para outras poéticas do Ocidente, com um número incontável de estudos e traduções.
A tradução de Guilherme Gontijo Flores recria parte do metro antigo em seu caráter vocal; no entanto, também mostra os vários momentos de riso e mesmo de sátira que marcam a escrita de Horácio e fazem um contraste radical com as leituras tradicionais que viam no poema uma expressão puramente séria e quase acadêmica.
O desafio desta tradução é fazer da Arte poética um poema conversacional, por vezes engraçado, sem com isso perder o complexo debate sobre a aventura literária.
Ficha técnica:
Páginas: 176 • Formato: 14 x 21 cm • Acabamento: Capa Dura • ISBN: 9786588239520 • Código: 36253 • Categoria(s): Clássicos, Filosofia, Literatura, Teatro • Autêntica Editora • Edição: 1 • Coleções: Clássica • Coordenadores da Coleção Oséias Silas Ferraz • Mês/Ano de publicação: 01/2021 • Primeira edição: 01/2021
Créditos: descrição e ficha técnica por Grupo editorial Autêntica. Fonte: Livro: Arte Poética (Edição bilíngue e capa dura) | Grupo Autêntica (grupoautentica.com.br). Acesso em abril de 2026.
2 – Arte Poética, 335 a.C. e 323 a.C. Aristóteles (384-322 A.C.), Estagira, Grécia.
Aristóteles.

O que nos restou da Poética de Aristóteles, ainda que na esperança da recuperação da parte perdida no futuro, constitui um preciosíssimo estudo de duas formas célebres da poesia – a trágica e a épica – caracterizado pela clareza e o tratamento sistemático e meticuloso do estagirita. Como a Retórica, a Poética dirige-se a um público muito mais amplo do que o dos tratados acroamáticos de Aristóteles. Assim, não só aqueles que são classificados atualmente por nós como estudantes e estudiosos de filosofia e de poesia obtêm de sua leitura atenta um grande e indiscutível proveito, como também os interessados na literatura em geral, na crítica literária, no teatro, no jornalismo e todos que se ocupam da linguagem e da comunicação humanas.
Ficha técnica:
ISBN: 978-85-7283-759-0
Formato: Livro brochura (paperback)
Número da edição: 1
Data do lançamento: 02/01/2011
Número de páginas: 96
Idiomas do produto: Português
Peso: 130 g
Comprimento: 7 mm
Largura: 140 mm
Altura: 210 mm
Créditos: descrição e ficha técnica por Edipro grupo editorial. Fonte: Poética – Edipro – Loja virtual de livros. Acesso em abril de 2026.
3 – Filosofia da composição, 1846. Edgar Allan Poe (1808-1849), Boston, Massachusetts, EUA.
Edgar Allan Poe.

Sinopse:
A filosofia da composição traz um ensaio onde Edgar Allan Poe analisa “O corvo”. Seu mais famoso poema é reproduzido nesta edição da Coleção Papéis Colados em duas importantes traduções para a língua portuguesa, uma de autoria de Fernando Pessoa e a outra de Machado de Assis, além de sua versão original em inglês. Poe realiza algo raro: se desloca do papel de autor para o de crítico, e desvenda os passos percorridos desde a concepção da ideia, até os pormenores que garantem a coerência e a unidade do texto.
Ficha técnica:
Número de páginas: 64
Formato: 14x21cm
Edição: 1º edição
Coleção: Clássicos
Selo: 7Letras
Acabamento: Brochura, capa dura.
Créditos: sinopse e ficha técnica por 7Letras. Fonte: A filosofia da composição – Editora 7Letras. Acesso em abril de 2026.
4 – Cartas a um jovem poeta, 1889. Rainer Maria Rilke (1875-1926), Praga, Tchéquia.
René Karl Wilhelm Johann Josef Maria Rilke.

Sinopse de Cartas a um jovem poeta:
Em 1903, o já famoso escritor Rainer Maria Rilke recebeu uma carta de um jovem aspirante a poeta, Franz Xaver Kappus, que buscava a orientação do “mestre”. Rilke não apenas respondeu aquela carta como seguiu com a troca de correspondências com Kappus por mais cinco anos.
Entre 1903 e 1908, portanto, as cartas trocadas entre Rilke e Kappus levaram a uma conversa franca entre mestre e aprendiz, entre dois homens dedicados à arte, à literatura, à poesia. As experiências compartilhadas entre os dois dialogam também com o leitor, fazendo dessa correspondência pessoal algo extremamente universal, capaz de conectar-se há mais de um século com leitores do mundo todo.
Além das cartas de Rilke ao jovem poeta e as do jovem poeta a Rilke, esta edição conta com os seguintes extras:
A transitoriedade, texto de Sigmund Freud. Nele, Freud relata um passeio feito em companhia de Rilke, na época um “jovem poeta” angustiado pela efemeridade das coisas e pelo fim de tudo que é Belo.
Nota de Franz Xaver Kappus, escrita em ocasião da publicação das cartas de Rilke.
Posfácio do alemão Erich Unglaub, professor e estudioso da Literatura Alemã.
Nova tradução do alemão, incluindo nota da tradutora Claudia Dornbusch.
Ficha técnica:
Editorial: Editorial Planeta
Tema: Autoajuda | Crescimento pessoal
Coleção: Fuera de Colección
Tradutor: Claudia Dornbusch
Número de páginas: 208
5 – ABC da Literatura, 1934. Ezra Pound (1885 – 1972), Idaho, EUA.
Ezra Weston Loomis Pound.

Sinopse:
Em nova edição revista e atualizada, Ezra Pound, um dos mais importantes e discutidos poetas do século XX, define com maestria a natureza e o significado da literatura e mostra ao leitor como ele pode desenvolver uma mente crítica e sensibilidade para captar o que haja de realmente criativo na grande literatura do mundo. Completa o volume uma mini antologia de poetas essenciais , de Homero a Rimbaud, passando por Li T ai Po, os trovadores provençais, John Donne, entre outros, brilhantemente traduzidos por Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari.
Ficha técnica:
Categoria: Crítica Literária e Linguística
Autor(es): Pound, Ezra
Dimensões: 14cm x 21cm
Edição: 12ª edição
Editora: CULTRIX
ISBN: 9788531612497
Número de páginas: 240
Ano de publicação: 2014
Encadernação: Brochura
Créditos: Apresentação e ficha técnica por Grupo Pensamento. Fonte: Abc da literatura (grupopensamento.com.br). Acesso em abril de 2026.
6 – Lições de poética, 1944. Paul Valéry (1871-1945), Sète, França.
Ambroise-Paul-Toussaint-Jules Valéry.
A conferência inaugural do autor, intitulada “Primeira Lição do Curso de Poética”, foi publicada em livro na França em 1944, integrando a obra Variété V. O curso completo dado no Collège de France permaneceu inédito e empoeirado em arquivos por décadas, ganhando sua primeira edição integral e monumental em 2023 pela Editora Gallimard.

Descrição:
Nestas Lições de Poética, Paul Valéry (1871-1945) nos propõe considerar a literatura — e a arte em geral — não como “obras” acabadas, mas, primeiro, como atos do intelecto que a compõem, e, segundo, como atos do intelecto que recebem a obra. Aliás, hoje mesmo se fala muito em escritura — e ainda mais em leitura —, mas quantas vezes nos lembramos de que esses substantivos se referem a atos de intelectos individuais?
Mesmo que o intelecto produtor saia de si para tentar calcular os efeitos da obra em quem vai contemplá-la, ele inevitavelmente volta a si para a composição. Para ele, a obra mesma é o termo desse processo. Para o leitor (ou para o ouvinte, para o espectador…), porém, a obra nada mais é do que a origem de uma nova série de atos do seu próprio intelecto.
Assim, fica o convite para não reduzirmos as obras a escolas ou a estilos, mas para tentar captá-las como atos de outro espírito, e para que nos examinemos a nós mesmos ao sofrer seu impacto. Pedro Sette-Câmara
Ficha técnica:
Peso: 490 g
Dimensões: 18 × 11,8 × 0,6 cm
Tradução: Pedro Sette-Câmara
Preparação: Maria Fernanda Alvares
Capa: Julia Geiser
Ano de publicação: 2018
Páginas: 92
Créditos: descrição e ficha técnica por Planeta editora. Fonte: Lições de poética – Editora Âyiné (ayine.com.br). Acesso em abril de 2026.
7 – Itinerários de Pásargada, 1954. Manuel Bandeira (1886-1968), Recife, Pernambuco. BR.
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho.

Sinopse:
Neste texto autobiográfico, Manuel Bandeira expõe o poeta em comoventes confissões de cunho pessoal e intelectual. Relembrando a infância no Recife e a mocidade no Rio de Janeiro, além de momentos marcantes de sua vida, este Itinerário é um testemunho imprescindível para a compreensão da trajetória deste grande poeta e escritor brasileiro.
Ficha Técnica:
Editora: GLOBAL
Coleção: Manuel Bandeira
Edição: 7ª edição
Formato: 16 x 23 cm
184 páginas
4 X 4 Cores
Peso: 320 gramas
ISBN: 978-85-260-1712-2
Código de Barras: 9788526017122
Créditos: sinopse e ficha técnica por Grupo Pensamento. Fonte: Itinerário de Pasárgada – Livro – Grupo Editorial Global. Acesso em abril de 2026.
8 – Esse ofício do verso (1967-1968). Jorge Luis Borges (1899-1986), Buenos Aires, Argentina.
A obra reúne seis palestras transcritas que Borges proferiu na Universidade de Harvard entre 1967 e 1968, cujas gravações ficaram perdidas por décadas.
Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo.

Esse ofício do verso é a transcrição de seis palestras proferidas por Jorge Luis Borges na Universidade de Harvard, entre 1967 e 1968. Comentário profundamente pessoal sobre diversos aspectos da produção literária, o livro é um testemunho inédito da genialidade de um dos maiores escritores do século XX.
9 – O que é comunicação poética, 1977. Décio Pignatari (1927-2012), Jundiaí, São Paulo, BR.
Décio Pignatari.

Com o som e a forma das palavras, o poeta cria e recria a linguagem. Partindo desse princípio, é possível argumentar que a poesia está mais próxima das artes visuais e da música do que da prosa.
Justamente por isso, a criação poética constitui uma fonte de imagens que são inesgotáveis produtoras de novas sensibilidades. Ao dar algumas chaves para ler esse tipo de literatura, o autor apresenta também questões para incentivar a criatividade e a competência poética do leitor.
Descrição:
A Linguagem Poética
Semiótica Poética: Paradigma e Sintagma
Ritmo
Métrica
Rima
Amostragem Sincrônica: Tudo ao Mesmo Tempo
Amostragem Diacrônica: Um Tempo, Depois Outro Tempo
Poesia Não-Linear, Poesia Não-Verbal
Observações Finais
Indicação para Leitura
Biografia
Créditos: Apresentação e descrição pela Ateliê Editorial. Fonte: O que é comunicação poética. Acesso em junho de 2026.
10 – Devoção, 1985. Patti Smith (1946-), Chicago, Illinois, EUA.
Patricia Lee Smith.

Neste livro breve e delicado, Patti Smith, a lendária autora do disco Horses e do aclamado livro de memórias Só garotos, oferece um relato íntimo de seu processo criativo – e uma reflexão poderosa sobre os mecanismos da escrita.
Apresentação:
Por que escrevemos? De onde vêm as ideias para uma história? Como funcionam as engrenagens da inspiração e da literatura?
Dividido em três partes, Devoção vai refletir sobre questões como essas. O relato se inicia com uma viagem da autora a Paris. Percorrendo as “ruas abstratas de Patrick Modiano” e lendo uma biografia de Simone Weil, Patti Smith começa a esboçar um conto, que vai se materializar no segundo capítulo do livro – a história de uma jovem patinadora, sua jornada em busca de si mesma e de suas origens.
Ao fim, Patti volta à cena e narra uma visita à casa de Albert Camus, na cidade de Lourmarin, onde depara com o manuscrito de O primeiro homem, romance inacabado do escritor argelino. “Por que alguém se sente compelido a escrever?”, é a pergunta que nos acompanha até o fim. “Para dar voz ao futuro, revisitar a infância. Para dar rédea curta às loucuras e aos horrores da imaginação”, Patti diz. E porque, afinal, “não podemos apenas viver”.
Ficha técnica:
Título original: Devotion
Tradução: Caetano W. Galindo
Capa: Fabio Uehara
Páginas: 144
Formato: 11.00 X 16.00 cm
Peso: 0.123 kg
Acabamento: Livro brochura
Lançamento: 21/10/2019
ISBN: 9788535932768
Selo: Companhia das Letras
Créditos: Apresentação e ficha técnica pela editora Companhia das Letras. Fonte: Devoção – Patti Smith – Grupo Companhia das Letras. Acesso em abril de 2026.
Outras fontes de leitura e aprendizado:
Antologia poética, 1962. Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), Itabira, MG, BR.
Carlos Drummond de Andrade.
Imagem: divulgação.
Carlos Drummond de Andrade escreveu extensivamente sobre a poesia e o ato de compor versos, recorrendo frequentemente à metalinguagem (a poesia que fala sobre o próprio fazer poético). Para Drummond, a escrita não era fruto de mera inspiração divina, mas sim de um trabalho apurado, um esforço luta árdua e meticulosa com a matéria-prima das palavras.
Alguns poemas metalinguísticos mais célebres e que definem sua visão sobre a arte:
Procura da Poesia: É o seu texto metapoético mais famoso. Nele, Drummond funciona como um mestre que dá conselhos ao jovem poeta. Ele avisa que poesia não é relatar o dia a dia, sentimentos fáceis ou aniversários. O verdadeiro poema surge quando se penetra “surdamente no reino das palavras”, onde os versos esperam para ser lapidados.
O Lutador: Neste poema, Drummond constrói uma metáfora perfeita do fazer poético ao comparar o escritor a um lutador no ringue. O seu adversário são as próprias palavras, descritas como entidades fluidas, duras e difíceis de capturar ou domar.
Poesia (do livro Alguma Poesia): Logo em sua estreia literária, ele expõe a angústia da criação nos versos: “Gastei uma hora pensando em um verso / que a pena não quer escrever”. O texto sintetiza a frustração física e mental de tentar traduzir o sentimento do mundo para o papel.
A Palavra Mágica: Aborda o poder quase místico que uma única palavra carrega e o esforço do poeta para “desencantá-la” das sombras de um livro.
Na sua consagrada Antologia Poética, organizada pelo próprio autor em 1962, Drummond separou a seção chamada “Poesia Contemplada”, dedicada exclusivamente a agrupar suas reflexões sobre a própria arte e o seu fazer.
Alguns livros de Cartas de Mário de Andrade a escritores e poetas. Mário de Andrade (1883-1945), São Paulo, SP, BR.
Mário Raul de Morais Andrade.
Imagens: divulgação.
Obra de Murilo Mendes (1901-1975), Juiz de Fora, MG, BR.
Murilo Monteiro Mendes.
Imagens: divulgação.
A metapoesia, o ato de usar a poesia para refletir sobre a própria poesia e sobre o papel do poeta, é um tema central e recorrente na obra de Murilo Mendes.
Em vários de seus livros, ele reflete sobre o fazer poético, o peso das palavras e o sofrimento do artista frente ao mundo.
Essa reflexão aparece expressa de diversas formas na sua produção literária:
O conflito do criador: Em poemas como “O Poeta na Igreja”, ele expõe o dilema do artista que tenta equilibrar a transcendência espiritual, as tentações do mundo físico e as limitações das palavras para expressar o divino.
A busca da palavra salvadora: No livro As Metamorfoses (1944), o autor dialoga diretamente com a figura do poeta e da musa, tratando a poesia como um instrumento místico capaz de redimir a humanidade e unificar as contradições da vida.
Títulos conceituais: O próprio título de suas coleções, como A Poesia em Pânico (1937) e Poesia Liberdade (1947), demonstra que a poesia em si mesma era o objeto principal de suas reflexões estéticas e existenciais.
A insuficiência técnica: O autor frequentemente se coloca como um ser “dilacerado”, cuja alma “sobrevoa a própria poesia”, indicando que a arte é um processo contínuo de tentativa e erro diante do mistério do mundo.
Para saber mais, o artigo acadêmico O Poético Alinhave de Murilo Mendes : o poeta, a musa e a metapoesia em as metamorfoses (UNESP) investiga e analisa a metapoesia na obra de Murilo Mendes.
Fonte: Patrimônio e Memória/Miscelânea, Texto Poético.
Manoel de Barros (1916-2014), Cuiabá, Mato Grosso, MA, BR.
Manoel Wenceslau Leite de Barros.
Imagens: divulgação.
Artigo indefinido: crônicas literárias. Paulo Mendes Campos (1922-1991), Belo Horizonte, MG, BR.
Publicado postumamente em 2000, Artigo Indefinido: Crônicas Literárias é uma coletânea que reúne o olhar crítico, lírico e erudito de Paulo Mendes Campos sobre o universo dos livros e de seus criadores. Diferente de suas crônicas cotidianas e humorísticas, este volume foca especificamente na paixão pela leitura e na análise de grandes autores da literatura nacional e internacional.
Imagem: divulgação.
Sobre a escrita: a arte em memórias, 2000. Stephen King (1947-), Maine, EUA.
Stephen Edwin King
Sobre a escrita: a arte em memórias (originalmente On Writing) é o aclamado livro de Stephen King que mistura autobiografia e um guia prático para escritores. A obra é dividida em memórias de sua trajetória (desde a infância até o sucesso) e conselhos valiosos sobre o processo criativo e o domínio técnico da escrita.

A poesia visual de Arnaldo Antunes (1960-), São Paulo, SP, BR.
Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho.
Imagens: divulgação.
Arnaldo Antunes é um dos nomes mais emblemáticos da poesia intersemiótica contemporânea no Brasil. Herdeiro direto do Concretismo, o autor expande a arte da palavra para além do livro tradicional, fazendo com que o texto dialogue o tempo todo com o som, o espaço, o design gráfico e as artes plásticas. Na sua obra, a palavra é indissociável de sua performance física e visual.
Livros fundamentais sobre o fazer poético e visual:
Psia (1986): Seu livro de estreia solo, marcado por poemas visuais, jogos tipográficos e experimentações radicais com o espaço em branco da página.
Tudos (1990) e As Coisas (1992): Obras que consolidam seu estilo conciso, lúdico e filosófico, investigando a essência e o peso das palavras no cotidiano (ganhador do Prêmio Jabuti).
Agora Aqui Ninguém precisa de si (2015): Coletânea que radicaliza o uso do letrismo e da metalinguagem, propondo reflexões profundas sobre o silêncio, a presença e a ausência na escrita.
Exposição Palavra em Movimento, por Arnaldo Antunes. Imagem: divulgação.
Palavra em Movimento: Uma de suas mostras mais importantes, que reuniu poemas visuais, objetos-poema, colagens, instalações e vídeos, transformando a lavra do texto em uma experiência tridimensional e multimeios para o público. Ver mais: site oficial do artista.
Obras de Mário Alex Rosa (1966-), São João Del-Rei, MG, BR.
Nascido em São João del-Rei (MG) em 14 de janeiro de 1966, o poeta, artista visual e professor Mário Alex Rosa divide sua trajetória entre as cidades históricas e a capital mineira. Graduado em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), mestre e doutor em Literatura Brasileira pela USP — ele fixou residência em Belo Horizonte, onde desenvolveu grande parte de sua carreira artística e profissional. Atualmente, trabalha também como editor e docente de Literatura Brasileira.
Imagens de algumas capas de livros: divulgação.
O mineiro Mário Alex Rosa aborda a palavra e a arte da palavra por meio da metalinguagem e da poesia visual, fundindo a escrita literária com as artes plásticas. Na sua obra, a palavra deixa de ser apenas som ou significado e passa a ser tratada como um objeto físico, plástico e visual.
As principais obras do autor que trabalham esse conceito dividem-se entre livros e exposições de poesia-objeto:
Tipografia Alfabeta (2023) (*Tipografia do Zé): Livro de viés fortemente tipográfico, onde a exploração estética das letras e a própria composição gráfica do alfabeto comandam a arte da palavra. Saiba mais: ‘Tipografia alfabeta’: o poema como campo de possibilidades, publicado pelo jornal Estado de Minas, 2023. * A Tipografia do Zé é uma gráfica fundada em 2008 em Belo Horizonte, especializada em livros artesanais de pequena tiragem, gravuras e papelaria. A oficina atua no cenário de artes gráficas do Brasil e é conhecida por suas edições que unem técnica tipográfica e literatura.
Via Férrea (Cosac Naify): Uma de suas obras mais importantes, onde o poeta exercita o letrismo próprio da arte verbal. Ele trabalha o “forjar poético”, cortando e lapidando cada letra e pontuação de forma refinada.
Cartas ao Mar (Scriptum): Uma coletânea de poemas-cartas em que o autor tensiona diretamente a linguagem e o ato de escrever. A obra debate o silêncio, a comunicação e a própria essência da palavra.
Alguns trabalhos com poesia visual e exposições de objeto-arte:
A arte da palavra em Mário Alex ganha sua máxima expressão tridimensional em suas exposições e mostras de poesia visual, dentre elas:
Desutensílios – Wor(d)k: Exposição que brinca com o duplo sentido de trabalho (work) e palavra (word). O artista ressignifica objetos cotidianos, usando o diálogo direto entre a palavra e os materiais para criar metáforas espaciais.
Letras Vermelhas: Mostra inteiramente dedicada à poesia visual. Há uma discreta tensão entre o pensar e o sentir, provocando a metamorfose da palavra no espaço visual.
Tudo ( e mais um pouco): poesia reunida (1971-2016), 2016. Chacal (1951-), Rio de Janeiro, RJ. BR.
Ricardo de Carvalho Duarte.

Sinopse:
Tudo (e mais um pouco) reúne a obra poética de Chacal, de seu primeiro livro, Muito prazer, Ricardo (1971), até os mais recentes Murundum (2012), Seu Madruga e eu (2015) e Alô poeta (2016), incluindo ainda a versão teatral da autobiografia Uma história à margem (2010). Nesse conjunto, ele criou uma lírica muito especial. Bebeu a irreverência e a concisão em Oswald de Andrade, mas também no rock’n’roll.
De Allen Ginsberg e do grupo carioca Nuvem Cigana dos anos 1970, ele trouxe para a poesia brasileira a experiência da contracultura e, acima de tudo, da palavra falada em inúmeras performances.
Colaborou também com o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, fez parcerias musicais com Rogério Duarte, Jards Macalé, as bandas Blitz e Barão Vermelho, além de atuar como agitador cultural no Rio de Janeiro em espaços como o Circo Voador e o CEP 20.000.
Ficha técnica:
Livro vendido com quatro modelos diferentes de capa
408 p. – 13.5 x 18 cm
ISBN 978-85-7326-629-0
2016 – 1ª edição
Edição conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Créditos: sinopse e ficha técnica pela editora 34. Fonte: Editora 34. Acesso em abril de 2026.
Outros ensaios, manuais e obras literárias inspirados pela arte da palavra:
Imagens: divulgação.
Poesia e poetas em obras literárias:
A Vida dos Poetas (1984), de E. L. Doctorow: Livro que reúne narrativas focadas na vida íntima e nos processos criativos de poetas, explorando as contradições entre a realidade e a arte.
Possessão (1990), de A. S. Byatt: Vencedor do Prêmio Booker, acompanha dois acadêmicos modernos que investigam a vida misteriosa de dois poetas vitorianos fictícios. O livro alterna entre o presente e o passado, revelando o romance secreto desses escritores.
O legado de Humboldt (1976), de SAul Bellow: Vencedor do Prêmio Pulitzer em 1976, O Legado de Humboldt acompanha Charlie Citrine, um escritor de sucesso em crise, e sua relação com o poeta genial e autodestrutivo Von Humboldt Fleisher.
Fogo Pálido (1962), de Vladimir NaboKov: é uma das obras mais inovadoras do século XX sobre o fazer poético. O livro possui uma estrutura única. Um poema de 999 linhas escrito pelo poeta John Shade e um extenso comentário feito por seu vizinho acadêmico, Charles Kinbote.
A Redoma de Vidro (1963), de Sylvia Plath: Narrativa semi-autobiográfica da poeta americana. A protagonista, Esther Greenwood, estagia em uma revista em Nova York e enfrenta um severo colapso mental, lidando profundamente com as pressões do sucesso e sua sensibilidade artística.
Os detetives selvagens (1997), de Roberto Bolaño: É considerado o grande romance sobre a juventude, o idealismo e a inevitável decadência dos poetas. A obra acompanha a busca dos jovens Arturo Belano e Ulises Lima pelas pegadas de Cesárea Tinajero, a mítica poetisa fundadora do movimento vanguardista “real-visceralismo”
O Sol é Para Todos (1960), de Harper Lee: Embora não seja o foco principal da obra, o clássico apresenta a adorada personagem “Scout” Finch, cujo irmão mais velho, Jem, sonha em se tornar um poeta quando adulto.
O poeta aprendiz, de Vinicius de Moraes: Publicado originalmente em formato de texto e canção na década de 1970, oferece uma visão lúdica, lírica e pedagógica sobre o início da jornada artística. A obra funciona como uma fábula musical sobre a pureza e as dores do amadurecimento criativo.
Obras de não ficção:
Livros que ensinam a arte de fazer poesia e o domínio da palavra. Combinam técnica de versificação, sensibilidade estética e exercícios práticos de escrita. Essas obras funcionam como manuais e ensaios fundamentais tanto para escritores iniciantes quanto para quem deseja refinar o uso do ritmo, da rima e das imagens literárias
Versos, Sons, Ritmos (Norma Goldstein): Considerado um dos melhores manuais introdutórios em língua portuguesa. Explica de forma didática os conceitos fundamentais de métrica, escansão, rimas e a musicalidade do texto poético.
A Criação Literária – Poesia e Prosa (Massaud Moisés): Uma das obras de referência mais respeitadas na teoria literária brasileira. O autor disseca a estrutura da poesia, estabelecendo conceitos profundos sobre as formas poéticas e os gêneros textuais.
Escrevendo Poemas: Teoria e Prática (Eldes Saullo): Um guia prático contemporâneo focado no mercado e na criatividade. Ele apresenta 39 formas poéticas detalhadas e oferece recursos linguísticos para ajudar a destravar a voz do escritor.
O Ser e o Tempo da Poesia (Alfredo Bosi): Indicado para um nível mais avançado de estudo. Explora a relação profunda da poesia com a filosofia, a história, o signo linguístico e a existência humana.
A Arte de Escrever (Claudionor Aparecido Ritondale): Desenvolvido a partir de oficinas culturais, este livro traz uma série de lições e exercícios práticos para soltar as ideias no papel, unindo o conhecimento histórico dos gêneros literários à prática criativa.
♦
*A obra em relevo que aparece em destaque na imagem desta publicação é de autoria do renomado escultor renascentista italiano Luca della Robbia (criada por volta de 1437–1439).
Pesquisa, organização e edição | Anna Galvão.
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