Entrevista-ensaio ficcional com o poeta Jovino Machado: “o que me atormenta é o meu gosto pelo impossível”


Jovino Machado. Foto: Rafael Fava Belúzio, 2022.

[Chat de uma rede social]

Rafael: Oi, Jovino, beleza? Que tal uma cerveja, quinta, 14h? A gente pode encontrar na Scriptum para conversar um pouco. [Terça, 19:29]

Jovino: Beleza! Combinado. Vou levar alguns livros para te dar de presente. No sábado, você me perguntou sobre livros do meu interesse e eu não soube responder na hora. Tenho o desejo de ler poemas da coleção Círculo de Poemas, principalmente da Claudia Roquette-Pinto. E também o novo do Fabrício Marques. Sei que são títulos novos e que devem ser de sua estima e coleção. Não precisa me dar. Se você puder me emprestar, eu cuido muito bem e devolvo rapidinho. [Terça, 19:52]

Rafael: Tranquilo. Vou achar algum bacana aqui! [Terça, 20:26]

Jovino: Valeu! [Terça, 20:26]


🍻

Quinta, por volta de 14h, encontramos perto da Livraria Scriptum, na Rua Fernandes Tourinho. Jovino, seguindo uma tradição pessoal, estava de camisa preta e mochila. Propôs que a cerveja acontecesse ali perto do Supermercado Verdemar.

Enquanto nos encaminhávamos para lá, falei para o amigo escritor sobre a encomenda feita a mim pelo site Tantas Folhas: uma resenha sobre as Trilogias dele. Expliquei, ainda, sobre minha a dificuldade, meio bêbada, de seguir em linha reta ao produzir algum texto sobre o amigo. Eu já havia feito um artigo chamado “Uma cerveja com as Sobras completas de Jovino Machado” e também escrito um posfácio para A trilogia do álcool. Por isso, fiquei pensando em seguir por outras trilhas e o chamei para essa cerveja.

Chegando ao supermercado, comprei uma long neck e o poeta comprou uma latinha. Sentamos por ali para beber e conversar – uma entrevista, quem sabe? Antes de começarmos a gravar usando o celular, falamos um pouco mais, comentamos sobre a Copa do Mundo e sobre a terceira Pelada poética organizada por Mário Alex Rosa e Welbert Belfort, trocamos alguns livros, lembramos da entrevista que o escritor fez com o Lô Borges…

Então, Jovino, isso aqui, agora, me parece um pouco entrevista, um pouco conversa, um pouco cerveja com o amigo. E você entrevistou o Lô Borges, não é? Você e o Pablo Pires Fernandes fizeram a plaquete-entrevista Lô Borges, o enfant terrible do Clube da Esquina. Acredito ainda que, nesse bate-papo de agora, há um pouco de conto. Eu vou ter que transcrever suas falas, você vai virar meu personagem. Sem falar nas vizinhanças da crônica, do ensaio e do fragmento aqui por perto. Somos reais e ficcionais nesses momentos, acredito. Imagino que, conversando com o Lô Borges, havia, de uma só vez, o Jovino Rabelo Machado, pessoa, e o Jovino Machado, sujeito ficcional. Então, o que você pensa sobre esse gênero… Entrevista? Bate-papo? Cerveja?

Jovino e Lô Bordes. Godofredo Bar, 2015.

A nuvem cigana… Olha, eu penso que é uma boa forma de diálogo entre os pares ou entre um artista e um fã. No meu caso, se eu for conversar com um amigo querido ou com o Lô, ou com o Caetano, ou com o José Miguel Wisnik, eu jamais conversaria de uma forma vertical, olhando para cima. Para mim é tudo horizontal, entendeu?

Entendi. Bacana. Você acha que, quando você conversava lá com o Lô, era o Lô mesmo? Ele estava performando muito? Você está agora com uma camisa preta. Você também está performando? Ou é o Jovino, eu estou conversando com o Jovino Machado, que está na capa dos livros, ou com o Jovino Rabelo Machado, que nasceu em Formiga, morou em Montes Claros e está em Belo Horizonte? É o nome na página ou é o Jovino pessoa?

Acho que são as duas coisas. O Mário me chamou, lá no poema que ele fez na Pelada poética, me chamou de “Gauche Garrincha”. Acho que o Jovino é as duas coisas, eu sou muito da performance cotidiana também, sou muito leonino. Sou uma pessoa que passa ali nesses bairros chiques assim: estão saindo aqueles carrões da garagem, e eu com o meu livro do Roberto Bolaño. Então, eu criei esse personagem; inclusive, o personagem que já foi chamado de “Bukowski de Belo Horizonte”. Mas tem o lado também de disciplina. O lado de criar junto aos dicionários, junto aos fantasmas da minha biblioteca. Mas eu acho que é uma mistura mesmo, as duas coisas, o personagem e o Jovino real, que eu nem sei se é real.

Então, eu queria começar com você falando sobre seu percurso literário. Fale um pouco do seu trajeto, pontuando especialmente as trilogias e particularmente A trilogia do álcool.

Jovino e amigos no lançamento da Trilogia do Álcool. Bar do Chinês (Edifício Maletta), 2018.

Sim. Bom, minha trajetória começou nos anos de 1980, no interior de Minas, em Montes Claros. Eu fazia parte do movimento Poesia Marginal. E a gente publicava os livros em xerox, mimeógrafo. E era muito bom, mas era ainda uma coisa muito ingênua. São livros que eu renego, porque era cópia da cópia da cópia. Era uma coisa muito diluída. Era a cópia dos poetas que eu estava começando a ler.

 

Montes Claros foi importante para mim, porque era uma efervescência muito grande na época.

 

Mas quem me influenciou muito nessa época foi Vinícius de Moraes, com os dois livros dele: Para uma menina com uma flor e Para viver um grande amor. Então, eu muito novo, com 16 anos, lendo Vinícius de Moraes. E eu ficava pensando assim: é isso que eu quero pra minha vida, eu não vou repetir a vidinha de mamãe e papai. A gente lia lá: o Vinícius casou não sei quantas vezes. É isso que eu quero, é essa vida que eu quero. Eu não quero essa vida chata, essa vida comum das pessoas. Eu quero ser artista. E foi muito bom.

Montes Claros foi muito importante para mim, porque era uma efervescência muito grande na época. Muitos grupos de teatro. E eu já entrei pro teatro também com 17 anos. Fui aluno da Regina Coelho no Conservatório; ela foi minha primeira professora de teatro. Depois fiz peças bacanas, clássicos como protagonista. Como O piquenique no front, do Arrabal, uma peça que estreou em Paris, em 1955, e a gente fez uma versão belíssima em Montes Claros. Fiz A aurora da minha vida, do Naum Alves de Souza, fiz com Jorge Emil, que hoje é um grande ator, reconhecido no país inteiro, está trabalhando com o Gabriel Vilela agora. E então foi muito bom.

Da esquerda para a direita: Déo Costa Raquel Mendonça, o dramaturgo Plínio Marcos, o poeta Jovino Machado, Mauro Lúcio, Alexandre Magno. Centro Cultural Hermes de Paula,1984. Foto: arquivo pessoal.

E depois, me mudei para cá. E aí eu fui ter uma consciência maior das coisas. Eu vi que o buraco era mais embaixo. Porque eu era muito querido em Montes Claros e tal, muito jovem. E eu vi que a coisa aqui era mais difícil. Havia as panelas. A panela da federal, a panela da família tal e etc. E todo mundo querendo seu espaço, todo mundo brigando pelo seu quinhão, pelo seu latifúndio ou minifúndio. Então eu vi que a coisa era mais difícil e aos poucos você vai perdendo a ingenuidade com isso. Você vai vendo que as coisas são mais sérias… Bom, o que mais?

 Você situou o percurso, falou da sua jornada. Você sempre pontua também muito dessa vinda do interior para a capital. Penso que isso seja um traço mesmo da sua literatura. Fico, além disso, observando as trilogias. Gostaria que as situasse um pouco, especialmente A trilogia do álcool, publicada pela Impressões de Minas, e as edições que o Jardel Dias Cavalcanti, da Galileu Edições, tem elaborado com você. Como você pensa essas trilogias dentro do seu percurso?

A Trilogia do Álcool e outros poemas, Jovino Machado. Impressões de Minas (2020). Imagem: divulgação.

A Trilogia do Álcool e outros poemas, Jovino Machado. Impressões de Minas (2020). Imagem: divulgação. Sim. E esse encontro com o Jardel tem sido muito importante para mim, porque o Jardel é um cara muito sensível, muito inteligente, muito amigo. E ele é professor de História da Arte, então não tem enrolação com ele. Vamos fazer, vamos fazer. Ele já escolhe a capa, já posta no Facebook. A gente tem um diálogo muito consistente, muito poético. E as trilogias surgiram a partir da minha trajetória e da minha influência do Joyce. E porque o Joyce era um bêbado, o Joyce era esquizofrênico. A filha também era esquizofrênica, mas ela não se salvou. Onde ele nadava de braçada, ela se afogou. Todo mundo conhece isso. E quem já leu o Piglia sabe dessa história com o Jung. O Joyce levou os escritos da filha para o Jung ver, mas não se sabe o que era, né? E ela era apaixonada pelo Beckett. E isso tudo vai me influenciando. E o Beckett foi secretário do Joyce. Só que o Beckett deixou a filha do Joyce esperando Godot. E então o Joyce tem essa influência grande na minha vida e eu tenho pesquisado muito sobre Irlanda e sobre contos do Joyce, a biografia.

 

Não quero virar personagem folclórico do Malleta, entendeu? Sou meio limiskiano. Caprichos e relaxos. É influência do samurai malandro.

 

A família toda louca do Joyce. Bisavô, avô. E vai entrelaçando com os personagens. A esposa, a nora, os filhos. E a Molly Bloom, personagem do Ulisses. Tem inclusive o famoso monólogo que fecha o Ulisses. E uma vez perguntaram pra Nora: você é a Molly Bloom? E ela falou: “Não, Molly era muito mais gorda”.

Então, são todas essas influências que vão repercutindo na poesia, vão influenciando. Mas sem querer tirar o corpo fora, é claro que eu gosto de beber e eu seria um muito mais bêbado se eu não tivesse realmente uma grande vontade de construir uma obra literária. Mas ao mesmo tempo não quero ser um intelectual de bar. Não quero virar personagem folclórico do Malleta, entendeu? Sou meio limiskiano. Caprichos e relaxos. É influência do samurai malandro.

Bom, gostaria que você pensasse um pouco também sobre um tema que sempre me interessa em Estudos Literários. Uma espécie de reflexão acerca da própria crítica sobre o autor. Me parece uma oportunidade única: perguntar ao autor como ele avalia a crítica feita sobre ele. Como os textos sobre Jovino Machado são pensados por Jovino Machado?

 Essa pergunta é muito difícil de responder. Eu acho que a crítica, de um modo geral, não sei se existe uma crítica oficial, mas, assim, no que foi escrito até hoje, eu acho que eu fui tratado até com uma certa delicadeza. Eu acho que reconheceram, com o tempo, a leveza da minha obra. Isso me deixa feliz. Alguns que escreveram disseram: “Ah, eu queria ter a leveza da poesia de Jovino Machado”. E isso me deixa bastante feliz. É uma pergunta bem difícil, é preciso refletir mais. Mas eu acho que sou bem tratado. Já falaram mal de mim publicamente, mas depois eles se arrependeram…

Sobre essa relação com a crítica, eu gosto, por exemplo, dos textos do Jardel Dias Cavalcanti e do Mario Alex Rosa. Nesse sentido, acredito que há uma performance da bebida nesse eu poético, ou talvez um testemunho poético do alcoolismo. A crítica já vem falando mais ou menos sobre isso há algum tempo; estamos está aqui abordando também A trilogia do álcool; e bebendo durante a entrevista. Eu gostaria que você discutisse um pouco como é esse sujeito lírico bêbado de Jovino Machado. Eu havia falado, em outro texto, sobre o eu etílico de Jovino Machado. Como Jovino Rabelo Machado pensa o seu personagem, o seu eu lírico em relação ao álcool?

Jovino com as plaquetes que compõem a Trilogia do álcool, publicadas pela Galileu Edições – Londrina, Paraná, (2018).

É um personagem passional. É o coração de tempestade. É o mal selvagem. Uma pessoa que, estando bêbada, pode fazer coisas inimagináveis. Incontroláveis. Não tem muito equilíbrio. Com o Jovino Machado, na mesa do bar, tudo pode acontecer. Pode ser uma coisa assim furiosa. Inclassificável. Às vezes, eu perco o controle. Essa coisa passional não dá muito espaço pro equilíbrio. É tudo ou nada. Eu não bebo nada ou eu bebo muito. E passo mal. E vou vomitando pela rua. Isso já aconteceu muitas vezes.

 

Quem ler O diário da orgia vai sacar muita coisa.

 

Na pandemia, eu ficava sozinho, na Savassi, com a garrafa de cerveja, passando pra lá e pra cá. E a garçonete do Bar do Gil me tratando mal. Não pode beber aqui! E eu dizendo: eu vou beber na livraria, você permite? A senhora permite que eu beba na livraria? Então… É uma relação poética. É uma boa relação. No fundo, eu sou um bom bebedor, não sou de misturar muito. Ou eu bebo vinho, ou eu bebo cerveja, mas acontece, e já aconteceu muita loucura.

E muitas das loucuras, quem ler O diário da orgia vai ver. Aquilo ali é autobiográfico. É continuação d’A trilogia do álcool. O diário da orgia conta muito bem essas loucuras, boate de strip-tease. Quem ler O diário da orgia vai sacar muita coisa. E muita coisa que eu fiquei vampirizando dos meus amigos. Como Cazuza fazia com os amigos dele. E muita coisa que o Adriano Menezes me contou. Os amigos mais dionisíacos. Marcelo Dolabela, que gostava da sarjeta, saía do Malleta e ainda ia beber no baixo centro. E as namoradas da Guaicurus do Adriano Menezes. Ele me contava muita coisa. Então eu fui misturando e fazendo um diário ao mesmo tempo ficcional e autobiográfico.

Fico pensando nesses aspectos ligados ao álcool e presentes na sua literatura. Sobre essa relação, eu gostaria ainda de fazer uma pergunta que fosse una e trina, digamos. Ao mesmo tempo três perguntas numa só ou uma pergunta que são três. Há um aspecto que aparece muito na sua plaquete Baco engarrafado, uma vez que Baco é um deus; na tradição cristã, Jesus talvez afirme que o sangue Dele é e não é o vinho; em cosmologias de alguns povos, há um lugar importante para uma bebida como o cauim.

Portanto, há uma intimidade profunda entre religiosidade e bebida. Eu gostaria que você falasse um pouco sobre essa relação entre religiosidade e sujeito etílico. Mas vou fazer as três perguntas de uma vez só e você responde caprichosa e relaxadamente, como quiser.

Uma segunda questão que me aparece atravessada na sua literatura bêbada é que Jovino Machado está muito ligado ao interior do Brasil. Você nasce em Formiga, vai para Montes Claros e vem para Belo Horizonte. E o nosso querido Leminski tem um texto falando sobre a importância do álcool e o interior do Brasil. Assim, nesse alcoolismo há certo modo de dizer o espaço. Talvez se estivéssemos em outros lugares do mundo, consumiríamos outras drogas, mas nos bares de Belo Horizonte somos alcoólatras.

Penso também na relação entre álcool e tempo. Você tem uma afinidade muito forte com a geração beat, com a geração marginal, poetas para quem o álcool foi muito importante. Enfim, como você pena essa trilogia do álcool: divindade-tempo-espaço?

Rafael e Jovino. Lançamento da Trilogia da dor, Bar Xoc Xoc – Edifício Maletta, 2024. Foto: Kellen Guimarães. (Plaquetes publicadas pela Galileu Edições, Londrina, Paraná). Para ler mais sobre a Trilogia da dor, clique no link: A poesia etílica de Jovino Machado ,ensaio publicado por Mário Alex Rosa, na Revista Sphera.

Jesus Cristo já disse que o vinho alegra os corações. O vinho é uma inspiração. E o Baco também. E isso vem muito da minha ligação, por exemplo, com teatro. Com o Teatro Oficina, assistindo aquelas orgias teatrais do Zé Celso. As bacantes, O banquete. Isso teve muita influência para mim. Eu não seria o que eu sou, não escreveria o que eu escrevo sem o Zé Celso. Sem o Teatro Oficina. Isso me influencia muito desde cedo, desde o teatro, porque pessoal do teatro sai do ensaio e vai beber.

 

O que me atormenta é o meu gosto pelo impossível.

 

Então, assim, eu já muito novo, em Montes Claros, todo dia depois do ensaio ia beber. A boemia começou aí. E essa relação do poeta com o interior de Minas é muito forte em todos esses sentidos. Por exemplo, relendo agora Grande sertão: veredas, vejo que já nadei em vários rios citados na obra. O São Francisco, o Rio das Velhas, o Rio Verde, o Rio Jequitaí. Quer dizer, tudo isso é muito forte. E o fato de minha família ter mudado de cidade várias vezes.

Jovino e José Nelson (pai), 2013.
Jovino e José Nelson (pai). Elvira Matilde, 2012.

E eu ter um pai muito inteligente, uma mãe muito charmosa, que comprava enciclopédias. E um pai que era o meu Google. Hoje em dia eu fico às vezes perdido, porque meu pai sabia de tudo, de geografia, de história, principalmente de futebol e de política. E isso me faz muita falta, mas ao mesmo tempo é uma grande herança para a minha literatura, para a minha vida, para a minha relação com os meus amigos. Eu acho que é mais ou menos por aí… O que me atormenta é o meu gosto pelo impossível.

Estamos terminando as nossas cervejas. Vou fazer a pergunta saideira, mais livre, antes de passar a régua. Tem alguma coisa que você queria falar, algo sobre essas questões que a gente abordou, ou alguma outra ideia que você gostaria de apontar?

Eu estava me lembrando esses dias de uma conversa que eu tive com o José Miguel Wisnik. A gente estava conversando sobre a questão da encomenda, do texto e da música feitos por encomenda. O Renascimento foi todo feito por encomenda do clero, da nobreza. E tem um trabalho meu que se chama O Natal de Janaína e que foi uma encomenda de um jornal aqui da cidade. E eu tenho muita dificuldade de escrever prosa, porque eu não sei colocar vírgula. Tenho uma dificuldade imensa.

Natal
Imagem: ilustração extraída do texto Natal de Janaina, de Jovino Machado, publicado por Tantas-Folhas em 2020.

Da mesma forma que a bruxinha ucraniana não sabia acentuar, eu tenho esse problema com a vírgula. Talvez por isso eu até me identifico um pouco com Joyce, que não gostava de vírgula e de hífen.

Mas aí teve essa encomenda para um especial de Natal. Participaram a Bruna Kalil Othero, a Ana Elisa Ribeiro e várias pessoas. E eu fiquei uma semana escrevendo e consegui fazer um bom texto, dentro das minhas limitações e dificuldades. Eu achei que ficou publicável. Bom, só que o editor não quis, disse que estava muito grande e eu tinha que cortar. E eu fiquei muito chateado, muito puto, porque eu acho que o texto estava redondo. Mas aí, como eu precisava daquela mídia, eu aceitei fazer os cortes e ficou uma merda. Saiu um texto assim, sabe, meio Frankenstein, cheio de pedaço meio sem sentido. Mas foi publicado pelo jornal. Aí falei com o Jardel, e o Jardel também ficou puto, indignado e fez uma plaquete. A plaquete ficou linda, com texto integral! Depois a Kellen publicou na Revista Tantas Folhas também o texto integral. E já teve 5.000 acessos.

Então, como disse o José Miguel Wisnik, você não pode fugir da encomenda, porque é na encomenda que você faz coisas que você jamais fez. Enfim, esse é um dos textos que eu adoro até hoje e que teve esse percurso meio acidentado. Essa coisa do corte, como se corta uma obra? Isso é terrível. Mas aí meus cúmplices me ajudaram a tornar legível e a colocar o texto à disposição de mais leitores.

Entrevista-ensaio ficcional realizada exclusivamente por Rafael Fava Belúzio para Tantas-Folhas.


 

Outras fotografias e imagens:

O poeta mineiro Jovino Machado (Jovino Antônio Rabelo Machado) faz aniversário no dia 3 de agosto. Embora tenha nascido em Formiga (1963) e crescido em Montes Claros, cidades do interior de Minas Gerais, foi em Belo Horizonte que construiu a maior parte da sua trajetória literária.

Para ampliar e visualizar as legendas, clique ou passe o cursor sobre as imagens:

Saiba mais sobre Jovino Machado, acessando (aqui)

Edição | Anna Galvão.


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Rafael Fava Belúzio é doutor em Estudos Literários (UFMG), com graduações em Letras (UFV) e Filosofia (UFMG). Publicou "Quatro clics em Paulo Leminski" (Ed. UFPR). É pesquisador pós-doc FAPES/IFES.

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