106 anos de Celso Furtado: “transdisciplinar e contemporâneo” RIEB/USP I Seção Res publica


Educação

Editorial | Seção Res publica

A seção Res Publica segue firme com o objetivo de valorizar e contribuir para a divulgação do trabalho acadêmico produzido nas universidades brasileiras por professores, pesquisadores e colaboradores. Trata-se de um manancial de projetos, periódicos e artigos de excelência que merecem difusão especial por parte de quem se compromete com a democratização da educação e da ciência, com a valorização do capital intelectual e cultural e com a defesa do serviço público.

Do golpe de 2016 ao governo Bolsonaro — que atuou de forma veemente contra a educação, a saúde e a ciência brasileiras —, o país viveu um período de graves retrocessos, deixando marcas profundas na sociedade. Como herança desse cenário, restou um bolsonarismo enraizado em diversos setores, propagado tanto pelas redes sociais quanto por esferas da sociedade civil.

Diante disso, o Estado brasileiro enfrenta não apenas a missão de reconstruir as instituições, a democracia e o bem-estar social, mas também o desafio urgente de combater a desinformação. Toda essa lástima, aliada ao fundamentalismo religioso, tem sido a raiz do negacionismo e a disseminação de ideologias nefastas — a exemplo de grupos red pill, crimes contra crianças, populações vulneráveis e animais, além do aumento alarmante da misoginia e do feminicídio —, sem contar os ataques encampados no Congresso Nacional contra os direitos dos trabalhadores e a preservação ambiental.

Superar esse cenário dependerá fundamentalmente da valorização da ciência, do fomento ao acesso de fontes primárias de informação, do letramento midiático e da formação contínua do senso crítico.

Como contraponto a essa conjuntura, apresentamos a seguir uma seleção e compilação de informações sobre a Revista de Estudos Brasileiros (RIEB), da Universidade de São Paulo (USP). Destacamos a edição nº 78, que traz um volume exclusivo dedicado a Celso Furtado (1920–2004), que completou 106 anos neste 26 de julho de 2026.

Renomado economista e intelectual paraibano, Celso Furtado construiu uma trajetória transdisciplinar e humanista essencial para a compreensão dos dilemas do subdesenvolvimento brasileiro. Toda a sua obra merece ser lida, relida e difundida, pois constitui a base para entender o Brasil contemporâneo sob um olhar rigoroso, crítico e visionário.

As imagens que intercalam esta publicação são ilustrativas e integram a curadoria e edição do Tantas-Folhas. Aproveitamos a oportunidade para saudar a arte, a cultura e os grandes pensadores que foram — e continuam sendo — fundamentais no processo de emancipação cultural do nosso país.

Anna Galvão.

 

Nesta edição, você encontrará:

1 Revista de Estudos Brasileiros (RIEB) | USP

1.1 Histórico do periódico

1.2 Sobre a Revista

1.3 Equipe editorial

1.4 Edição atual

2 Acesse e conheça alguns artigos na íntegra da última edição da RIEB

2.1 Editorial

2.2 Artigos

2.3 Documentação

2.4 Resenhas

2.5 Edição completa

2.6 Para conhecer as edições anteriores da RIEB

3 No aniversário de 106 anos de Celso Furtado, veja mais:

.1 Celso Furtado: trajetória, pensamento e método, editora Autêntica (2025).

.2 Artigos

.3 Revista de Estudos Avançados – USP. v. 34 n. 100 (2020). Destaque. “Celso Furtado: um economista com lentes de literato”

 


1 Revista de Estudos Brasileiros (RIEB) | USP – Universidade de São Paulo

Logotipo extraído da capa da revista. Revista de Estudos Brasileiros (RIEB)

1.1 Histórico do periódico

Criada em 1966, a Revista do Instituto de Estudos Brasileiros da USP foi editada, sem interrupções, até 1997. Pela própria natureza do Instituto, sempre teve caráter multidisciplinar, abrigando diferentes tendências e linhas de pesquisa e abrindo suas páginas para pesquisadores de uma enorme diversidade de instituições. Em muitas áreas do conhecimento, a Revista fez parte do movimento de renovação dos estudos brasileiros de a partir dos anos 1960, tendo sido um dos principais veículos de difusão do conhecimento científico originário das universidades brasileiras e de seus programas de pós-graduação entre os anos 1970 e 1990.

Além disso, foi um dos meios de divulgação do vasto acervo do IEB, que hoje inclui as coleções pessoais de nomes fundamentais da cultura brasileira, tais como Mário de Andrade, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Osman Lins, Alberto Lamego, Yan de Almeida Prado, José Honório Rodrigues, Caio Prado Jr., Pierre Monbeig, Anita Malfatti, Francisco Mignone e Camargo Guarnieri.

A Revista do IEB, espaço de debates destinado a abranger uma multiplicidade de temas, correntes de pensamento e linhas de pesquisa, ressurgiu em setembro de 2006 com sua proposta integradora dos vários ramos das Humanidades, aceitando o desafio de pensar criticamente o Brasil e facilitar o diálogo entre as áreas do conhecimento – sem contudo transigir quanto às especificidades e ao rigor técnico de leituras especializadas.

Trata-se, portanto, de apresentar estudos cujos resultados, por sua relevância ou significado teórico e metodológico, podem ou devem transcender compartimentos. Além disso, e com o idêntico propósito de abrigar debates em que sejam confrontados saberes de diversa proveniência, a Revista do IEB abre suas páginas tanto para análises de problemas do Brasil contemporâneo como para reflexões que investiguem dimensões teóricas dos estudos brasileiros.

Nesse sentido, encara o desafio de erigir-se em espaço aglutinador – mas não harmonizador – das inúmeras fronteiras do conhecimento.

Fonte: texto publicado em Sobre – Revista Estudos Brasileiros (RIEB).

1.2 Sobre a Revista

A Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, de periodicidade quadrimestral, tem por finalidade publicar artigos originais e inéditos, resenhas e documentos relacionados aos estudos brasileiros(História, Literatura, Artes, Música, Geografia, Economia, Direito, Ciências Sociais, Arquitetura etc.)

Os artigos são obrigatoriamente submetidos a avaliação de dois (02) pareceristas, sendo respeitada a autenticidade e originalidade do trabalho.  Em caso de divergência é ouvido um terceiro parecerista.

A Comissão Editorial da Revista define os pareceristas para os quais serão encaminhados os artigos. O público alvo da Revista é formado, preferencialmente, pela comunidade acadêmica nacional e internacional.

Fonte:  Sobre – Revista Estudos Brasileiros (RIEB).

Clique aqui para conhecer mais sobre o foco, o escopo, a política, o processo de avaliação dos artigos, a periodicidade, as recomendações de conduta ética e procedimentos, os sponsors, as fontes de apoio e o histórico da REF. Acesse também Notícias e  Submissões.

1.3 Equipe editorial

A RIEB conseguiu reunir ao longo de 57 anos de existência uma diversa e vasta equipe editorial, compondo-se de editores, comissão editorial, conselho executivo, editor-executivo e equipe de apoio. O que reflete a qualidade e  quantidade de editoriais, artigos, resenhas e dossiês publicados a cada edição da revista. Conheça quem pensa e faz acontecer em  Equipe editorial, link direto para a revista.

1.4 Edição atual | n.93 (abr, 2026)

Publicação: 22/05/2026. 

Edição atual. Revista de Estudos Brasileiros (USP).

2 Acesse e conheça alguns artigos na íntegra. Destaque: edição n.78 (2021) da RIEB. Dossiê: Celso Furtado, transdisciplinar e contemporâneo.

A Revista do Instituto de Estudos Brasileiros (RIEB) tem como missão refletir sobre a sociedade brasileira articulando múltiplas áreas do saber. Nesse sentido, empenha-se na publicação de artigos originais e inéditos, resenhas e documentos relacionados aos estudos brasileiros. PUBLICADO: 2021-05-04

Celso Furtado
Celso Furtado

2.1 Editorial

Celso Furtado, centenário

Por Fernando Paixão, Inês Gouveia, Luciana Galvão 13-15  PDF

2.2 Artigos

Dossiê: Celso Furtado, transdisciplinar e contemporâneo.

Apresentação – Celso Furtado, transdisciplinar e contemporâneo

Por Alexandre Barbosa, André Botelho, Vera Cepêda, Alexandre Saes 17-24  PDF

Celso Furtado, pensador global

Por Rubens Ricupero 25-34 PDF

El desafío de la sustitución de importaciones de las categorías occidéntricasCelso Furtado

Por Carlos Mallorquin 35-64  PDF

Celso Furtado por uma ciência econômica iconoclasta e inconformista

Por Elisa Klüger 66-85 PDF

Celso Furtado, intérprete do Brasil

Por Alexandre Barbosa 86-107 PDF

“Pouco mais do que uma viagem de turismo”, as viagens de juventude de Celso Furtado

Por Carmen Felgueiras 108-134 PDF

A teoria do subdesenvolvimento e o projeto desenvolvimentista de Celso Furtado, reflexões sobre os limites do liberalismo

Vera Cepêda, Gustavo Louis Henrique Pinto 135-155 PDF

O pensamento de Celso Furtado sobre Estado e planejamento

Por Renato Wasques 156-181  PDF
Presidente Lula e Celso Furtado durante a solenidade de recriação da SUDENE, em Fortaleza, 2003. Fonte: Memorial da Democracia.

Celso Furtado, intérprete da dependência

Por Rômulo Manzatto, Alexandre Saes 182-205  PDF

A história vista pelas lentes das ciências sociais uma interpretação de Economia colonial brasileira nos séculos XVI e XVII, de Celso Furtado

Roberto Silva 206-222  PDF

Celso Furtado e a antropologia: notas para o diálogo entre economia política e estudos culturais

Por César Bolaño 223-239 PDF

Leituras em competição (à distância): dois experimentos de pesquisa a partir da obra de Celso Furtado

Por Antonio Brasil Junior, Lucas Carvalho, Karim Helayel 240-272 PDF

2.3 Documentação

Volta às fontes batismais: Celso Furtado e a profecia da Sudene

Darlan Barboza, Elisabete Ribas 274-301 PDF

2.4 Resenhas

Celso Furtado, os Diários intermitentes e o Brasil: as memórias de um intelectual público

Por Rafael Mourão 303-314  PDF

Destecer os 60 anos de Formação econômica do Brasil

Por Gustavo Louis Henrique Pinto 315-321  PDF

2.5 Edição completa. Acesse aqui

2.6 Para conhecer as edições anteriores da RIEB. Acesse aqui

Contato

Instituto de Estudos Brasileiros – Espaço Brasiliana
Av. Prof. Luciano Gualberto, 78
Cidade Universitária
05508-050
Universidade de São Paulo – São Paulo, SP – Brasil

Contato Principal

Pedro B. de Meneses Bolle
IEB – Universidade de São Paulo

Contato para Suporte Técnico

Revista do IEB
Telefone3091-1149
Leia mais referências sobre Celso Furtado no buscador do Jornal da USP: Busca – Jornal da USP (clique aqui)

3 No aniversário de 106 anos de Celso Furtado, veja mais:

Celso Furtado faria 106 anos hoje. E sua obra segue tão necessária quanto atual.
Economista, intelectual público, homem de Estado e sertanejo da Paraíba: Celso Monteiro Furtado nasceu em 16 de julho de 1920, na cidade de Pombal. Chegou ao Rio de Janeiro nos anos 1930 e iniciou uma trajetória que atravessaria o século como uma das mais brilhantes e comprometidas com o desenvolvimento do Brasil e da América Latina.

Foi autor de obras fundamentais como Formação Econômica do Brasil (1959), livro que até hoje forma gerações de economistas, historiadores e planejadores públicos. De volta ao Brasil, foi um dos idealizadores da SUDENE, no governo JK, e do Plano Trienal, no governo João Goulart dois marcos de uma proposta nacional-desenvolvimentista voltada ao combate às desigualdades regionais e à superação do subdesenvolvimento.

Após o golpe de 64, foi cassado e passou duas décadas no exílio, onde seguiu produzindo e lecionando nas maiores universidades do mundo. Voltou ao Brasil nos anos 1980, onde ainda atuaria como ministro da Cultura no governo Sarney e membro da Assembleia Constituinte. Fundador da cadeira nº 11 da ABL, foi também um dos pensadores mais respeitados globalmente sobre os dilemas do Terceiro Mundo.

Celso Furtado não foi apenas um economista: foi um pensador do Brasil. Um dos poucos que ousaram imaginar um país menos desigual, com projeto, com justiça social e com democracia.

Neste 26 de julho, sua memória segue como farol para quem acredita num Brasil soberano, desenvolvido e para todos.

Fonte: texto extraído e atualizado (datas) uma homenagem realizada pela Fundação Perseu Abramo, nas redes sociais.

.1 Celso Furtado: trajetória, pensamento e método. Livro publicado em 2025 pela editora Autêntica.

Imagem: divulgação Autêntica.

Sobre o livro:

Celso Furtado foi o maior economista brasileiro e um dos principais intelectuais do país, influenciando o pensamento econômico e a formulação de políticas públicas na América Latina. Neste livro, Alexandre de Freitas Barbosa e Alexandre Macchione Saes analisam seu percurso e seu pensamento, destacando o processo de construção de suas ideias.

Os autores contextualizam as obras do economista paraibano com ênfase no método de análise econômica e social, enraizado na história e sempre projetando novos horizontes utópicos. A sequência cronológica dos capítulos traça o movimento do economista no tempo e no espaço, desde a juventude, os anos no exílio, até os anos 1990, passando por Recife, Rio de Janeiro, Santiago, Paris, Cambridge, Bruxelas e Brasília. As conexões e tensões entre a trajetória, o pensamento e o método são escrutinadas para cada momento de sua vida e de nossa história em sintonia com “os ares do mundo”. Durante a leitura, “vários Furtados” entram em cena.

O livro faz o retrato de um intelectual que avança pela economia para se debruçar sobre a sociedade e a política, ampliando a sua mirada para abarcar a cultura, a ecologia e as mudanças do sistema internacional. Nesse sentido, a abordagem panorâmica permite lançar um novo olhar sobre Celso Furtado em diálogo com a ampla literatura existente. Tal como ele fazia em seus livros, dedicados aos jovens que ingressavam na universidade e na vida política, esse se dirige a todas as gerações que acreditam ser um outro mundo possível.

Fonte: Editora Autêntica. Acesso em julho de 2026.

.2 Artigo:

A economia, a história e a política sob a ótica de Celso Furtado : A economia, a história e a política sob a ótica de Celso Furtado. USP recebe acervo de documentos, cartas, fotografias e originais que mostram a relevância da obra do economista e sua atualidade  (clique aqui)


.3 Revista de Estudos Avançados – USP. v. 34 n. 100 (2020).

(Clique aqui para ver a edição completa)

Destaque. “Celso Furtado: um economista com lentes de literato”

Resumo: Este ensaio tematiza a afinidades entre a prática literária de Celso Furtado e sua perspectiva analítica como economista. Conforme revelam sua autobiografia, seus diários e entrevistas, a paixão e os flertes com a literatura foram recorrentes e importantes em sua trajetória.
É possível argumentar que a proximidade de Furtado com a literatura contribuiu para fazer dele um economista com uma sensibilidade para enredos povoados por indivíduos que em nada se aproximam do homo œconomicus da teoria econômica neoclássica e para cenários conformados por estruturas sociais, culturais e de poder que enquadram as ações desses indivíduos.
Este ensaio enfoca o projeto de romance delineado por Celso Furtado em 1955 e registrado em seus Diários intermitentes 1937-2002 (2019). O texto é tomado como ponto de observação privilegiado para apreender a imaginação sociológica e a interpretação histórica e culturalmente enraizada da economia e sociedade brasileira que fizeram de Celso Furtado um economista inexoravelmente heterodoxo.

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Arqueóloga da palavra escrita, cantada e falada. 'Hanna', falcão de maio. Αθήνα. Editora de Tantas-Folhas.

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